Coração Curumim Explica: Comunicação Interatrial (CIA)

Dando seguimento ao quadro “Coração Curumim Explica“, com textos sobre o tema cardiopatia congênita voltados para a sociedade em geral, hoje é dia de falar um pouco sobre a Comunicação Interatrial (CIA).

O coração normal é divido em partes, duas superiores chamadas átrios e duas inferiores chamadas ventrículos. Entre os átrios há uma estrutura denominada septo interatrial, que os separa em câmaras direita e esquerda e da mesma forma ocorre entre os ventrículos que são separados através do septo interventricular.

A comunicação interatrial, conhecida pela sua sigla “CIA”, é um defeito no septo interatrial que leva a uma comunicação entre os átrios. Este defeito está presente desde o nascimento, mais especificamente a partir da 5ª semana de gestação, momento em que há a formação desta parede dentro do coração. A CIA corresponde a 13% de todas as cardiopatias congênitas e sua prevalência é de cerca de 1,8 casos para cada 1000 nascidos vivos.

Existe a possibilidade de fechamento espontâneo deste defeito, sem necessidade de cirurgia, principalmente quando é pequeno. Defeitos grandes podem acometer o funcionamento do coração e dos pulmões e no futuro gerar complicações como cansaço, falta de ar, inchado nas pernas, arritmias cardíacas, risco aumentado para acidente vascular cerebral (AVC) e hipertensão pulmonar (pressão alta nos vasos do pulmão) por aumento do fluxo sanguíneos para os pulmões, sendo então necessário correção cirúrgica para evitar este quadro.

Ilustração monstra um coração normal e um coração com CIA.

Sintomas

Muitos bebês que nascem com esta cardiopatia podem não apresentar inicialmente nenhum sintoma, já os adultos geralmente iniciam os indícios por volta dos 30 anos de idade ou mais tarde. Os sinais e sintomas mais frequentes são falta de ar (principalmente durante o exercício físico), fadiga, inchaço nas pernas ou nos pés, infecções pulmonares frequentes e sopro cardíaco ao exame físico.

Fisiopatologia

Em um coração sem defeitos, o sangue rico em oxigênio vindo dos pulmões chega ao lado esquerdo do coração e não se mistura com o sangue pobre em oxigênio que chega do corpo para o lado direito do coração. Na presença de CIA, o sangue rico em oxigênio do lado esquerdo passa através da comunicação para o lado direito onde se mistura com o sangue pobre em oxigênio, e então será novamente direcionado aos pulmões para ser oxigenado. Se a CIA for grande, este volume “extra” para o lado direito do coração e para os pulmões pode sobrecarrega-los, fazendo com que o lado direito do coração aumente de tamanho e enfraqueça, assim como há aumento na quantidade de sangue aos pulmões fazendo com que aumente a pressão dentro dele, levando ao quadro de hipertensão arterial pulmonar.

Fatores de risco

Até o momento não se sabe porque os defeitos cardíacos congênitos ocorrem. Sabe-se apenas que há um risco familiar comprovado, ou seja, famílias com casos de cardiopatia congênita têm maior chance de recorrência dos defeitos, assim como a associação com síndromes genéticas, como a Síndrome de Down, por exemplo.
Durante a gravidez, algumas condições como infecção por rubéola congênita, uso de drogas, cigarro ou álcool e doenças prévias como diabetes, lúpus eritematoso sistêmico, fenilcetonúria e obesidade, podem aumentar o risco de ter um bebê com um defeito cardíaco.

Diagnóstico

O médico poderá suspeitar de um defeito do septo interatrial ou qualquer outro defeito do coração quando auscultar sopro cardíaco ao exame físico. Na suspeita de um defeito o médico poderá solicitar outros exames como o eletrocardiograma, RX de tórax e o ecocardiograma para confirmar o diagnóstico.

Tratamento

Para aqueles defeitos que não se fecharam espontaneamente durante a infância, o médico poderá optar inicialmente por monitorar o paciente e avaliar a real necessidade de correção cirúrgica. O uso de alguns medicamentos pode ser necessário para reduzir alguns sinais e sintomas, porém eles não fecharão a comunicação. Estes medicamentos podem ser usados também para reduzir o risco de complicações após a cirurgia.

Se a correção cirúrgica for necessária, dois métodos poderão ser utilizados:

  1. Cateterismo cardíaco: Neste procedimento, os médicos inserem um tubo fino (cateter) em um vaso sanguíneo na virilha que servirá como guia para alcançar o coração. Através de técnicas de imagem, inserem um dispositivo no septo interatrial para fechar o buraco. Apenas CIAs não muito extensas poderão ser fechadas através deste procedimento;
  2. Cirurgia de coração aberto: Este tipo de cirurgia é feito sob anestesia geral e requer o uso de uma máquina coração-pulmão. Através de uma incisão no peito, os cirurgiões usam remendos para fechar o buraco.

Seguimento

Ter um defeito do septo atrial geralmente não restringe atividades ou exercícios físicos. Caso haja alguma complicação como arritmias, insuficiência cardíaca ou hipertensão pulmonar, o cardiologista deverá ser consultado previamente.

A dieta deverá ser saudável para o coração, baseada em frutas, legumes e grãos integrais de baixo teor de gordura saturada, colesterol e sódio. Comer uma ou duas porções de peixe por semana também é benéfico.

Por Aline Potrich, médica pediatra (UNICAMP) e cardiologista pediátrica (INCOR).

A série “Coração Curumim Explica” pretende trazer todas as terças-feiras textos curtos sobre assuntos que trabalhem com o tema coração e a cardiopatia congênita.

Imagem via Stocksnap.

Equipe Curumim

AATCC – Associação de Apoio ao Tratamento das Crianças Cardiopatas – Coração curumim

1 Resultado

  1. Rô Batista disse:

    Adorei a postagem minha sobrinha fez o procedimento recentemente. Agradeço se me enviarem mais informações sobre essa patologia cardíaca. Vlw

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