Coração Curumim Explica: Comunicação Interventricular (CIV)

Na última publicação da série “Coração Curumim Explica” conhecemos melhor a chamada CIA (Comunicação Interatrial). No texto de hoje será a vez de entendermos um pouco mais sobre a CIV – Comunicação Interventricular.

Comunicação Interventricular (CIV) é um defeito encontrado no septo interventricular, que separa os 2 ventrículos, responsável por cerca de 20% das cardiopatias congênitas. Sua incidência é estimada em 1,5 a 3,5 casos para cada 1000 crianças nascidas com idade gestacional adequada, sendo maior nos casos de bebês prematuros. A Comunicação Interventricular é a cardiopatia mais encontrada na infância, podendo ocorrer de forma isolada ou associada com outras malformações cardíacas.

Anatomia e fisiologia

O septo interventricular é uma estrutura muscular localizada entre os ventrículos. Quando ele está íntegro, não há comunicação entre o sangue venoso (pouco oxigenado) e o sangue arterial (rico em oxigênio). Quando existe alteração nesse septo, ocorre mistura do sangue proveniente do lado esquerdo com o do lado direito. Nesse caso, uma parte do sangue já com oxigênio, que deveria ir para o corpo, retorna para o lado direito do coração e para o pulmão, sobrecarregando-o. O pulmão e o coração podem ficar, então, com a função alterada.

Esquema de um coração normal e outro com CIV: há mistura de sangue do ventrículo direito com o do esquerdo.

A repercussão causada pela CIV varia muito. Alguns pacientes não apresentam alterações clínicas, enquanto outros precisam de medicação para controlar os sintomas antes da cirurgia. Logo ao nascimento, a CIV pode não ser diagnosticada, pois o coração ainda está se adaptando à alteração. Com o crescimento do paciente, aumenta a quantidade de sangue oriundo da CIV no pulmão e os sintomas tornam-se presentes.

Diagnóstico e manifestações clínicas

Ao exame físico, é possível diagnosticar CIV pela ausculta de sopro cardíaco. Bebês com CIV podem apresentar sintomas como falta de ar e cansaço às mamadas, suor excessivo e dificuldade no ganho de peso. Grandes defeitos causam manifestações nas primeiras semanas de vida, como cansaço importante, mesmo em repouso, infecções pulmonares recorrentes, cianose (quando o bebê fica “roxo”) e inchaço.

O diagnóstico da CIV é feito pelo Ecocardiograma, que é o ultrassom do coração. Nele, o médico avalia o tamanho da CIV e como ela altera a função do coração e pulmão.

Tratamento

O tratamento da CIV depende do tamanho da comunicação, da repercussão que ela causa no coração e dos sintomas. Pode ser clínico ou cirúrgico. Defeitos pequenos não requerem tratamento farmacológico nem cirúrgico. O paciente segue em acompanhamento com cardiologista e a CIV é monitorada pelo Ecocardiograma.

Já defeitos moderados e grandes podem precisar de tratamento clínico antes da cirurgia. São usadas medicações para melhorar a função do coração e manter bom volume de urina, evitando assim o acúmulo de líquido no pulmão. O tratamento com cirurgia é indicado nos casos de CIVs grandes e sintomas frequentes. Pode ser feita a correção por meio de cateterismo ou cirurgia com peito aberto.

Cateterismo: um cateter (semelhante a um tubo fino) é introduzido pelos vasos da virilha até o coração. Quando ele chega ao coração, o médico consegue fechar a comunicação com uma prótese. Nesses casos, a recuperação geralmente é mais fácil e rápida.

Cirurgia: nesse caso o paciente é “conectado” a uma máquina “coração-pulmão”. Esta máquina garante oxigênio e sangue para o corpo todo, enquanto o cirurgião abre o coração e fecha o defeito com uma película que chamamos de “patch”.

Prognóstico

Crianças com defeitos pequenos apresentam boa evolução e vida relativamente normal, podendo ocorrer fechamento espontâneo da comunicação em até 50% dos casos. Crianças com defeitos maiores, após o tratamento cirúrgico bem sucedido, em sua maioria, apresentam vida normal. Logo após a cirurgia, alguns pacientes precisam ainda tomar as medicações. Com o tempo, seguindo acompanhamento com o cardiologista, essas medicações podem ser retiradas.

Por Mariana Hermann da Cruz, médica pediatra intensivista (PUC Campinas).

A série “Coração Curumim Explica” pretende trazer todas as terças-feiras textos curtos sobre assuntos que trabalhem com o tema coração e a cardiopatia congênita.

Imagem de destaque via Pixabay.

Equipe Curumim

AATCC – Associação de Apoio ao Tratamento das Crianças Cardiopatas – Coração curumim

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