Coração Curumim Explica: Defeito do Septo Atrioventricular

No quadro “Coração Curumim Explica” dessa semana o tema abordado será o o Defeito do Septo Atrioventricular, que está presente quando os septos que separam as câmaras do coração (átrio direito de átrio esquerdo e ventrículo direito de ventrículo esquerdo) estão alterados, permitindo comunicação do sangue.

É a cardiopatia mais frequente em pessoas com Síndrome de Down, estando dentro do grupo de cardiopatias congênitas acianogênicas de hiperfluxo pulmonar, ou seja, não causa arroxeamento da pele (quando a pele fica próxima à cor roxa), mas leva a um aumento do fluxo sanguíneo no pulmão.

O que acontece?

O sangue oxigenado das câmaras cardíacas esquerdas passa para a direita, misturando sangue rico em oxigênio com sangue pobre em oxigênio. Com isso há um aumento da quantidade de sangue para os pulmões (chamado de hiperfluxo pulmonar), e o sangue que circula pelo corpo todo possui menos oxigênio que o normal.

Se as válvulas forem inadequadas, elas não conseguem deixar o sangue seguir adiante sem retornar, ocorrendo refluxo ou insuficiência. Com isso, parte do sangue que é lançado pelo coração retorna inadequadamente, sobrecarregando o coração.

Principais sintomas

Os sintomas apresentados são de insuficiência cardíaca congestiva, que compreendem desde o cansaço durante e depois das mamadas, cansaço para atividades físicas, respiração rápida e difícil, pneumonias de repetição e até dificuldade de ganho de peso.

Isso ocorre porque mais sangue vai para o pulmão e com isso há uma sobrecarga de volume e congestão pulmonar. A intensidade dos sintomas irá depender do tipo, tamanho, localização do defeito e até mesmo a idade do paciente.

Defeitos pequenos ou localizados no septo atrial (CIA, por exemplo) ocorrem com poucos ou nenhum sintoma. Entretanto, defeitos maiores levam precocemente à congestão pulmonar.
A idade também altera a manifestação da doença. No recém nascido o pulmão possui pressão sanguínea mais alta, limitando o desvio do sangue da esquerda para direita. Após o nascimento, ocorre redução progressiva da pressão sanguínea nos pulmões, reduzindo a resistência ao fluxo sanguíneo pulmonar. Desse modo, os pulmões podem receber mais sangue do que o normal, ocasionando o aparecimento de sintomas respiratórios.

Diagnóstico

  • Radiografia de tórax: mostra um aumento do tamanho do coração e aumento da trama vascular pulmonar;
  • ECG: pode mostrar arritmias – alteração no ritmo do coração;
  • Ecocardiograma com Doppler colorido – é o exame que confirma o diagnóstico e pode fornecer informações importantes para programação cirúrgica.

Tratamento

O Defeito do Septo Atrioventricular sempre precisa de cirurgia. O ideal é esperar até que a criança tenha entre 6 e 12 meses, quando seu peso já está acima de seis quilos e o risco cirúrgico é menor. Porém, nos casos em que é difícil controlar a insuficiência cardíaca, pode ser necessário operar antes disso. Enquanto a cirurgia não é realizada, controla-se os sintomas do paciente com medicações como a digoxina, furosemida e o captopril.

O tratamento cirúrgico pode ser paliativo ou definitivo, isto é, pode-se fazer um procedimento cirúrgico antes da correção definitiva caso o paciente não tenha o peso adequado ainda, melhorando assim os sintomas que estão prejudicando seu desenvolvimento.

Essa correção “paliativa” é chamada de “Bandagem da artéria pulmonar”, onde o cirurgião diminui a passagem do fluxo sanguíneo para a circulação do pulmão, diminuindo, então, o hiperfluxo pulmonar que é a causa dos sintomas.

A correção cirúrgica definitiva será realizada quando o paciente tiver condição para tal, e consiste em três etapas: fechamento da CIV, fechamento da CIA e reconstrução das válvulas. É uma cirurgia de grande porte, que exige que o sangue do paciente passe por uma máquina que fará a função do coração e pulmão durante a cirurgia: a máquina de circulação extracorpórea.

O pós operatório exigirá cuidados dentro de uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), com monitorização e cuidados contínuos do paciente. A cirurgia normalmente tem boa evolução e o acompanhamento com o cardiologista pós cirurgia é necessário por toda a vida para avaliação de todas as correções realizadas, além da possibilidade do uso de medicação diária mesmo após a cirurgia.

Por Sibila Aiache Pegoraro, médica pediatra (UEL) e neonatologista (Unicamp).

A série “Coração Curumim Explica” pretende trazer toda semana textos sobre assuntos que trabalhem com o tema coração e a cardiopatia congênita.

Imagem via Pixabay.

Equipe Curumim

AATCC – Associação de Apoio ao Tratamento das Crianças Cardiopatas – Coração curumim

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *