Coração Curumim Explica: E como anda a cardiopatia congênita no Brasil?

Na semana passada a seção “Coração Curumim Explica” abordou o conceito e como diagnosticar a cardiopatia congênita. Hoje vamos conhecer qual a real situação desta malformação cardíaca no Brasil.

A cardiopatia congênita é uma das malformações mais comuns entre os recém-nascidos e corresponde a terceira causa de morte no período neonatal (crianças de 0 a 28 dias de vida). A cada 100 crianças que nascem, pelos menos uma delas sofrerá com algum problema na formação do coração. Um terço destes bebês apresenta malformações cardíacas críticas (necessitam de tratamento ao nascimento), ou seja, irão a óbito ainda no primeiro ano de vida caso não recebam tratamento adequado no período neonatal.

No Brasil são 28.846 casos novos por ano. Você sabe o que isso significa? Significa que a cada ano aumenta mais de 28 mil crianças com diagnóstico recente de alguma cardiopatia congênita no país e que, portanto, necessitarão de seguimento com cardiologista pediátrico para definir a necessidade de tratamento clínico ou cirúrgico.

Infelizmente o cenário é ainda pior quando estas crianças necessitam de tratamento cirúrgico, uma vez que 78% dos pacientes com indicação de cirurgia cardíaca não chegam a receber este tratamento. É isso mesmo! Em termos numéricos conseguimos tratar 7 mil pacientes por ano e permanecem nas filas cirúrgicas cerca de 16 mil crianças, o que aumenta significativamente a mortalidade.

Em todo o nosso país existem apenas 20 centros especializados com capacidade de oferecer tratamento adequado às crianças com cardiopatia congênita. Em Campinas, sede da Coração Curumim, 6 hospitais realizam cirurgias cardíacas em crianças, mas apenas os hospitais da Unicamp e da PUC-Campinas (PUCC) realizam pelo Sistema Único de Saúde (SUS), recebendo os casos mais complexos. Mesmo com a fundação da primeira UTI Cardiológica Pediátrica (UCP) de Campinas na PUCC, em janeiro desse ano (com 3 leitos neonatais), ainda chama a atenção o déficit significativo de vagas e estrutura.

A assistência médica adequada ao cardiopata está longe de ser a ideal, muitos nem sequer têm acesso ao serviço especializado e morrem antes mesmo de receber o diagnóstico e/ou tratamento cirúrgico. A cardiopatia congênita configura um importante problema de saúde pública que necessita de grande investimento público e privado capazes de sanar os déficits de vagas e estrutura atuais.

Quadro de deficit de vagas para cirurgia cardíaca congênita.

Quadro de deficit de vagas para cirurgia cardíaca congênita.

Por Rhayany Barbosa, médica pediatra (UNICAMP), residente de Cardiopediatria na Universidade Estadual de Campinas.

A série “Coração Curumim Explica” pretende trazer todas as terças-feiras textos curtos sobre assuntos que trabalhem com o tema coração e a cardiopatia congênita.

Imagem via Pexels.

Equipe Curumim

AATCC – Associação de Apoio ao Tratamento das Crianças Cardiopatas – Coração curumim

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