Coração Curumim Explica: Estenose Aórtica

No tópico da semana passada dentro do quadro “Coração Curumim Explica” nós abordamos a EPV (Estenose Pulmonar Valvar). Hoje, a pauta é acerca da Estenose Aórtica. Confiram!

O coração normal tem quatro válvulas, que são formadas por folhetos. A Válvula Aórtica comunica o ventrículo esquerdo com a Aorta e é composta por 3 folhetos. Ela impede que o sangue que vai para a Artéria Aorta retorne para o ventrículo esquerdo quando ele é bombeado.

Chamamos de estenose quando há uma abertura incompleta da válvula, comprometendo o fluxo normal de sangue e sobrecarregando o ventrículo esquerdo. A Estenose Aórtica é responsável por 5% das cardiopatias congênitas, sendo que em 20% dos casos estão presentes outras alterações na estrutura do coração (persistência do canal arterial, coarctação de Aorta, comunicação interventricular, etc).

Figura 01: Válvula aórtica normal, com 3 folhetos. Ao lado, uma válvula com estenose.

A Estenose Aórtica pode ser uma cardiopatia congênita ou adquirida (após infecções e febre reumática, por exemplo).

Quadro clínico

Os sintomas em recém-nascidos geralmente ocorrem quando o canal arterial começa a se fechar. Esse canal, que antes mandava sangue para o corpo, ao fechar, causa diminuição do fluxo de sangue para os órgãos, sobrecarregando o coração e podendo levar a um quadro clínico grave.

Bebês apresentam sintomas de insuficiência cardíaca como palidez, sudorese, dificuldade respiratória e de ganho de peso. Crianças maiores geralmente são assintomáticas, mas a longo prazo pode haver falência cardíaca.

Diagnóstico

No exame físico, o médico ausculta um sopro. Para confirmar o diagnóstico, podem ser feitos alguns exames:

  • Raio X de tórax: coração está de tamanho aumentado, devido ao esforço maior que faz para bombear o sangue para o corpo;
  • Eletrocardiograma: mostra uma sobrecarga do ventrículo esquerdo;
  • Ecocardiograma: além de mostrar a alteração da válvula, é possível avaliar a alteração de função no coração causada pela doença.

Tratamento

Nos casos de Estenose Aórtica crítica no recém-nascido (quando o canal arterial se fecha), é necessário internação em UTI para manter o canal arterial aberto e garantir o fluxo de sangue para o corpo todo. A medicação usada para manter o canal aberto é a Prostaglandina. Em muitos casos, oxigênio e ajuda de aparelhos para respirar também são necessários.

O tratamento cirúrgico pode ser de duas maneiras:

  1. Valvoplastia Aórtica por Balão: é inserido um cateter pela artéria femoral até alcançar a região da válvula aórtica. Na extremidade do cateter é insuflado um balão que irá dilatar a válvula. Desse modo, ocorre um aumento do fluxo sanguíneo pela válvula para todos os órgãos;
  2. Cirurgia Corretiva: cirurgia aberta, realizada com ajuda de circulação extracorpórea – a máquina garante a circulação do sangue enquanto o cirurgião corrige o problema na válvula. Nesse caso, o pós-operatório é feito na UTI pois é mais complexo e requer melhor monitorização do paciente.

Prognóstico

Antes da correção cirúrgica, o paciente deve realizar acompanhamento com o cardiologista, pois a doença é progressiva, ou seja, a tendência é de piora da estenose com o passar dos anos. Estima-se que 20% das lesões leves irão evoluir para formas graves em 10 anos.

Após a cirurgia, a evolução geralmente é favorável, porém em alguns casos é possível que ocorra um nova estenose da válvula. Desse modo, será necessário seguimento com cardiologista.

Por Mariana Hermann da Cruz, médica pediatra intensivista.

A série “Coração Curumim Explica” pretende trazer toda semana textos sobre assuntos que trabalhem com o tema coração e a cardiopatia congênita.

Imagem de destaque via Pixabay.

Equipe Curumim

AATCC – Associação de Apoio ao Tratamento das Crianças Cardiopatas – Coração curumim

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