Coração Curumim Explica: o que é cardiopatia congênita?

Hoje é dia da seção “Coração Curumim Explica. No último post aprendemos como é um coração normal. Mas e o que seria a chamada cardiopatia congênita?

O coraçãozinho do bebê já está formado na 8ª semana de gestação, e qualquer alteração em seu formato ou função, presente ao nascimento, é chamada de cardiopatia congênita. É uma das malformações mais comuns nos recém nascidos, sendo a terceira causa de morte infantil no período neonatal (até 1 mês de vida).

O defeito no coração pode estar nas paredes, válvulas ou vasos. Existem cerca de 40 tipos diferentes de cardiopatias descritas e cada uma recebe um nome de acordo com o defeito encontrado.
“Cardiopatia congênita crítica” é aquela que necessita de tratamento imediato, logo após o nascimento, sendo importante o planejamento do lugar onde o bebê irá nascer. Nesse caso, a gestante ou o recém-nascido precisa ser encaminhado a um serviço de referência em Cirurgia Cardíaca Infantil.

Porém não são todos os bebês que necessitam desse cuidado imediato. A maioria das cardiopatias podem ser acompanhadas clinicamente com um cardiologista pediátrico, sendo encaminhadas para correção cirúrgica, se necessário, mais tardiamente.

Quais são os fatores de risco?

– Idade materna avançada (>35anos);
– Pai/mãe/irmão com cardiopatia congênita;
– Uso de alguns medicamentos durante a gestação, alem do álcool excessivo e fumo;
– Algumas doenças maternas como diabetes e infecções
– Gestações múltiplas; fertilização in vitro;
– Alterações em ultrassom: translucência nucal alterada, malformação em algum outro órgão, suspeita de síndromes ou defeitos genéticos.

Como ela é diagnosticada?

No ultrassom morfológico, feito durante o pré-natal, o coração do bebê não é avaliado de maneira detalhada, porém podem ser vistas algumas alterações sugestivas de cardiopatia congênita. Quando há esta desconfiança, e dependendo dos fatores de risco existentes, a gestante é encaminhada para a realização do Ecocardiograma fetal, feito por um cardiologista pediátrico. Nesse exame é possível avaliar a forma e função do coração e se ele possui defeitos ou não, para assim poder ser descartada a hipótese de cardiopatias mais graves que necessitem de tratamento imediato.

Após o nascimento, se o bebê tem algum fator de risco para cardiopatia, um Ecocardiograma transtorácico com Collor Doppler (ou seja, um ultrassom do coração) é solicitado para melhor avaliação. Lembrando que o Teste do Coraçãozinho hoje já exigido como lei em todas as maternidades do país, sendo um excelente método de triagem para as cardiopatias congênitas. Portanto, exija sempre que ele seja realizado antes da alta do bebê.

Por Priscila Maruoka, média pediatra intensivista, presidente da AATCC.

A série “Coração Curumim Explica” pretende trazer todas as terças-feiras textos curtos sobre assuntos que trabalhem com o tema coração e a cardiopatia congênita.

Imagem via Pixabay.

Equipe Curumim

AATCC – Associação de Apoio ao Tratamento das Crianças Cardiopatas – Coração curumim

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