Coração Curumim Explica: Palivizumabe e a Profilaxia da Infecção por Vírus Sincicial Respiratório

As infecções respiratórias estão relacionadas a altos índices de mortalidade no Brasil. O Vírus Sincicial Respiratório (VSR) é o principal responsável pela etiologia dessas doenças no primeiro ano de vida, causando bronquiolite e pneumonia. Cerca de 40 a 60% das crianças são infectadas pelo vírus no primeiro ano de vida e mais de 95% até os 2 anos.

Na maioria das vezes, a infecção se apresenta como um resfriado comum, porém, em alguns casos, a doença se torna grave, necessitando de internação hospitalar, oxigênioterapia e suporte ventilatório (ajuda de aparelhos em unidade de terapia intensiva).

O paciente portador de cardiopatia congênita faz parte de um grupo de risco para a doença por apresentar maior suscetibilidade à infecção nas suas formas mais graves da doença. Outros grupos de risco são os bebês prematuros e crianças com doença crônica do pulmão (asma).

O vírus

O VSR atinge o trato respiratório através do contato íntimo de pessoas infectadas – secreção de nariz ou boca – ou através de superfícies ou objetos contaminados. O tempo de sobrevida do VSR nas mãos é de menos de 1 hora; no entanto, em superfícies duras, pode durar até 24 horas. Após a infecção, os sintomas aparecem entre 4 a 5 dias. O período que a pessoa infectada transmite para outros indivíduos varia de 3 a 8 dias, podendo chegar de 3 a 4 semanas em recém-nascidos. A infecção é sazonal, ou seja, apresenta maior incidência no inverno e início da primavera.

Quadro clínico

– Bronquiolite: No início o bebê apresenta corrimento nasal, tosse e febre. Com a evolução da doença, a tosse piora e pode ocorrer dificuldade para respirar. O chiado no peito é sintoma presente na maioria dos casos. Falta de apetite é comum.

Pneumonia: Geralmente em crianças maiores, também há febre, tosse, congestão nasal e dificuldade para respirar.

A proteção

Palivizumabe é um anticorpo indicado para pacientes dos grupos de risco. Ele neutraliza a atividade do vírus e deve ser usado como prevenção para infecção pelo VSR durante os meses de risco de infecção. A primeira dose deve ser administrada antes do início do período da sazonalidade – de março a julho – do VSR e as doses subsequentes devem ser administradas mensalmente durante este período. Geralmente, 5 doses anuais são suficientes para promover proteção durante a sazonalidade. O intervalo entre as doses deve ser de 30 dias. O uso do Palivizumabe está indicado até os 2 anos de idade.

É importante ressaltar que o Palivizumabe não é uma vacina, portanto, apenas uma dose não causa o efeito desejado (não causa imunidade). A imunização é passiva, ou seja, o paciente recebe o anticorpo pronto, não o produz.

Além do uso do Palivizumabe para pacientes de risco, devemos praticar medidas para reduzir a transmissão e contágio, sendo as principais:

  • Higienizar as mãos antes e depois de entrar em contato com crianças, principalmente menores de 2 anos; lavar as mãos regularmente é a forma mais fácil de prevenção da transmissão;
  • Intensificar os cuidados de higiene pessoal;
  • Evitar contato com pessoas doentes;
  • Evitar locais com aglomerações;
  • Vacinar contra o Influenza (que também causa doenças respiratórias);

O Palivizumabe está disponível pelo Sistema Único de Saúde e sua requisição deve ser feita pelo médico cardiologista que acompanha o paciente.

Por Mariana Hermann da Cruz, médica pediatra intensivista.

A série “Coração Curumim Explica” pretende trazer toda semana textos sobre assuntos que trabalhem com o tema coração e a cardiopatia congênita.

Imagem de destaque via Pixabay.

Equipe Curumim

AATCC – Associação de Apoio ao Tratamento das Crianças Cardiopatas – Coração curumim

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