Coração Curumim Explica: Persistência do Canal Arterial (PCA)

O quadro “Coração Curumim Explica” trouxe como tema na semana passada o Teste do Coraçãozinho, assunto super importante sobre um teste que é simples, rápido e não causa dor ao bebê. Nessa semana o tema a ser debatido é o PCA: Persistência do Canal Arterial.

O vaso sanguíneo que liga a aorta (maior artéria do nosso corpo) à artéria pulmonar (artéria que leva sangue do coração para o pulmão) é chamado de Canal Arterial. Esse vaso é muito importante enquanto o bebê ainda está na barriga da mãe, fechando sozinho após o nascimento em torno de 48 horas. Quando esse vaso não se fecha damos o nome de “Persistência de Canal Arterial” (PCA).

Em um bebê nascido a termo (com 9 meses) ao nascer e respirar, suas artérias pulmonares se abrem, seu canal arterial perde a utilidade e se fecha. Isso acontece funcionalmente em algumas horas e permanentemente em cerca de uma semana.

No caso do prematuro, o canal arterial permanece aberto por um tempo mais prolongado e, desta maneira, o sangue da aorta (destinado a ir para outras partes do corpo) vai para os pulmões. Dependendo de quão aberto está este canal isso pode ser em grande quantidade, podendo afetar o pulmão (por excesso de sangue, inundando-o) e/ou faltar sangue em outros órgãos, como os rins, dificultando o funcionamento correto deles.

Os principais sintomas encontrados nos bebês com PCA são:

  • sopro cardíaco;
  • piora do padrão respiratório (o bebê fica mais “cansadinho”);
  • dificuldade ganho de peso;
  • prejuízo aos outros órgãos do corpo, que passam a receber menos sangue (rins, intestinos, etc).

O diagnóstico é feito através de um ecocardiograma (ultrassom do coração). O tratamento pode não ser necessário se o canal for pequeno e não estiver afetando o desenvolvimento do recém-nascido (se fecha sozinho conforme a criança cresce). Nos casos onde o canal não se fecha e o bebê passa a ter complicações, é necessário tratar.

Existem 2 medicações que podem ser usadas para o fechamento do canal: a indometacina e o ibuprofeno (mais usado). São anti-inflamatórios que devem ser administrados com cuidado apenas nos bebês clinicamente em condições de recebê-los.

Porém em alguns casos, principalmente nos bebês mais prematuros, essas medicações não são efetivas e o canal arterial continua aberto, podendo, então, ser necessário o fechamento cirúrgico. É uma cirurgia relativamente simples, feita pela lateral do peitinho do bebê, e o coraçãozinho continua batendo normalmente.

Por Sibila Aiache Pegoraro, médica pediatra (UEL) e neonatologista (Unicamp).

A série “Coração Curumim Explica” pretende trazer todas as terças-feiras textos curtos sobre assuntos que trabalhem com o tema coração e a cardiopatia congênita.

Imagem via Pexels.

Equipe Curumim

AATCC – Associação de Apoio ao Tratamento das Crianças Cardiopatas – Coração curumim

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *