Coração Curumim Explica: vacinação no cardiopata

No último texto da série “Coração Curumim Explica” nós abordamos os cuidados de enfermagem no pós-operatório. Nessa semana, a pauta será sobre a vacinação no cardiopata. Confira!

As vacinas são consideradas um dos mais importantes avanços da Medicina, pois foram responsáveis pela redução no número e na gravidade de doenças infecciosas, poupando milhões de vidas.

O grande benefício da vacinação é a produção pelo nosso organismo de imunidade contra certos tipos específicos de agentes (vírus e bactérias), nos protegendo de determinadas doenças.

Algumas vacinas contém agentes vivos atenuados (vacinas “vivas”), outras possuem agentes mortos. As vacinas “vivas” podem causar alguns efeitos colaterais devido seu modo diferente de agir dentro do nosso corpo, porém estes sintomas são infinitamente mais leves que os causados quando a doença verdadeira é adquirida.

Os pacientes com doença crônica, como as cardiopatias congênitas, de um modo geral são mais suscetíveis às doenças infecciosas e correm maior risco de complicações e descompensação da sua doença de base. Portanto, a prevenção de infecções através da vacinação é fundamental.

Crianças com cardiopatia simples ou já operadas e que estão clinicamente bem, deverão seguir o calendário vacinal habitual. No entanto, aqueles com cardiopatia complexa e sintomas de cansaço, falta de ar, inchado, palidez ou com coloração dos lábios e ponta dos dedos azuladas (cianose), deverão obter uma autorização de seu cardiologista antes da vacinação.

É importante ressaltar que crianças com problemas cardíacos que possuem algum tipo de problema imunológico associado, por exemplo Síndrome de Di George ou paciente submetidos a transplante cardíaco, não poderão receber certos tipos de vacina, especialmente aquelas compostas por agentes vivos atenuados (como a vacina contra febre amarela, por exemplo).

A aplicação das vacinas não é recomendada nas 4 semanas que antecedem ou nas 4 semanas após procedimento cirúrgico, pois podem causar febre e mal-estar que poderão levar ao cancelamento da cirurgia ou um alerta falso à equipe médica quanto possibilidade de alguma complicação infecciosa pré ou pós-operatória.

Felizmente o Ministério da Saúde atualiza todo o ano seu calendário nacional de vacinação e hoje em dia, praticamente todas as vacinas recomendadas para paciente de grupos especiais como portadores de cardiopatia congénita estão disponíveis na rede pública de saúde.

Compare nos quadros abaixo as recomendações de vacinação do Ministério da saúde em situações especiais e o calendário nacional de vacinação 2017.

Vacinas destinadas a pessoas com condições clínicas que cursam com suscetibilidade aumentada a infecção de natureza variada.

Fique sempre de olho na atualização da carteirinha de vacinação e se atente as campanhas realizadas pelo Ministério da Saúde.

Por Aline Potrich, médica pediatra (UNICAMP) e cardiologista pediátrica (INCOR).

A série “Coração Curumim Explica” pretende trazer toda semana textos sobre assuntos que trabalhem com o tema coração e a cardiopatia congênita.

Imagem em destaque: StockSnap.

Equipe Curumim

AATCC – Associação de Apoio ao Tratamento das Crianças Cardiopatas – Coração curumim

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