Coração Curumim Explica: A importância do Ecocardiograma Fetal

As cardiopatias são as malformações congênitas mais frequentes, presentes em aproximadamente 1% dos nascimentos e as mais relacionadas com morbidade e mortalidade na infância. Se levarmos em conta os óbitos fetais, com elevada incidência de cardiopatias, esse número pode variar de 0,5 a 39,5%, de acordo com a idade gestacional em que ocorreu a perda fetal.

O ecocardiograma fetal é um exame realizado nas gestantes, semelhante a um ultrassom morfológico, mas com análise focada e detalhada do coração, realizado por especialista em coração fetal, possibilitando o diagnóstico de defeitos cardíacos antes do nascimento.

Um dos grandes objetivos do diagnóstico pré-natal é a detecção de cardiopatias graves, cujo prognóstico depende do nascimento em centro especializado em cardiologia e cirurgia cardíaca infantil, pois a maioria necessita de algum tratamento nos primeiros 30 dias de vida, seja cirúrgico ou por cateterismo.

Embora a indicação de ecocardiograma esteja bem estabelecida para as gestantes de risco, a maioria dos recém-nascidos cardiopatas ainda nasce sem diagnóstico prévio, em virtude da maioria dos casos ocorrer em grupos de baixo risco, não sendo identificado no ultrassom morfológico. Aproximadamente 90% dos cardiopatas não possuem fatores de risco que possam ser identificados.

As principais indicações de ecocardiograma fetal são:

  • Idade materna acima de 35 anos;
  • Diabetes materno pré-gestacional;
  • Gestantes com doença autoimune;
  • Ingestão materna de determinadas medicações;
  • Rubéola materna ou infecção viral com suspeita de miocardite fetal;
  • Gestação por reprodução assistida;
  • Gestação gemelar;
  • Cardiopatia congênita em parente de primeiro ou segundo grau;
  • Suspeita de cardiopatia congênita pelo US morfológico;
  • Suspeita de malformação extra cardíaca pelo US morfológico;
  • Cariótipo fetal anormal;
  • Ritmo cardíaco irregular, bradicardia ou taquicardia;
  • Translucência nucal aumentada;
  • Hidropsia fetal ou derrames.

O coração fetal é um órgão complexo, melhor avaliado pelo especialista na área. Essa avaliação especializada faz com que a maioria das cardiopatias seja diagnosticada antes do nascimento, acompanhada durante a gestação e permite a programação do parto em hospital com disponibilidade de cardiologia e cirurgia cardíaca infantil, evitando o transporte desses pacientes após o nascimento, o que pode desestabilizar a doença e aumentar o risco de óbito.

O diagnóstico precoce é importante também para preparar psicologicamente os pais a respeito da doença da criança e sobre o tratamento a ser enfrentado.

Recém-nascidos que já nascem com o diagnóstico e em hospital adequado apresentam melhores resultados e melhor qualidade de vida.

A melhor fase para o exame ser realizado é entre 22 e 28 semanas. Pode ser indicado mais precocemente em casos de alto risco materno ou fetal, a partir de 14 semanas. Existem cardiopatias que podem ser tratadas intraútero, como estenose aórtica ou estenose pulmonar. As arritmias podem necessitar de tratamento medicamentoso durante a gestação, a depender da avaliação hemodinâmica durante o exame.

Ecocardiograma também é importante para avaliação cardíaca na presença de patologias maternas ou obstétricas, como suspeita de infecção viral, diabetes mellitus tipo 1, doença autoimune, fetos com restrição de crescimento intrauterino, transfusão feto-fetal em gestação gemelar.

A Sociedade Brasileira de Cardiologia recomenda que este exame seja feito de rotina para todas as gestantes, independentemente da presença ou não de fatores de risco, em virtude da elevada incidência de cardiopatia e baixo índice de detecção pelo ultrassom.

Atualmente muitos obstetras incluem este exame como rotina do pré-natal, porém isso só é possível em locais que tenham este especialista disponível, o que, infelizmente, não é a realidade na maioria das cidades do Brasil.

Por Clara Guyot, cardiologista (Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia) e Ecocardiografia pediátrica e fetal (Hospital Beneficiência Portuguesa – SP).

A série “Coração Curumim Explica” pretende trazer toda semana textos sobre assuntos que trabalhem com o tema coração e a cardiopatia congênita.

Imagem de destaque via Pixabay.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *