Teste de triagem neonatal para cardiopatia congênita crítica – Teste do Coraçãozinho

Hoje inauguramos mais uma seção aqui na página da Associação de Apoio ao Tratamento das Crianças Cardiopatas (AATCC) – Coração Curumim. O novo quadro leva o nome de “Dr Curumim”, e tem por objetivo trabalhar temas ligados direta ou indiretamente à cardiopatia congênita, porém de maneira mais densa, voltada para médicos e demais profissionais da saúde, diferentemente do que é trabalhado na seção “Coração Curumim Explica“, mais voltada para o público em geral. Nesse primeiro texto o assunto abordado é o “Teste de triagem neonatal para cardiopatia congênita crítica – Teste do Coraçãozinho”.

O Teste do Coraçãozinho é o exame realizado para detecção precoce de cardiopatias congênitas críticas em recém-nascidos. A cardiopatia congênita está presente em 1 em cada 100 nascidos vivos, e cerca de 30% dos pacientes com cardiopatia crítica recebem alta sem o diagnóstico adequado. O diagnóstico precoce é de suma importância para melhor acompanhamento do paciente, manejo adequado da doença, tratamento cirúrgico precoce e, consequentemente, impacto positivo na sobrevida.

São consideradas cardiopatias congênitas críticas aquelas onde a manifestação clínica decorre do fechamento ou restrição do canal arterial (cardiopatias canal-dependentes), sendo que o fluxo sistêmico ou pulmonar podem ser comprometidos. São exemplos:

  • Cardiopatias com fluxo pulmonar dependente do canal arterial: Atresia pulmonar e similares;
  • Cardiopatias com fluxo sistêmico dependente do canal arterial: Síndrome de hipoplasia do coração esquerdo, Coartação de aorta crítica e similares;
  • Cardiopatias com circulação em paralelo: Transposição das grandes artérias.

O fechamento do canal arterial nesses casos pode levar a manifestações graves, como choque, insuficiência respiratória e parada cardiorrespiratória.

O teste tem validade pois nos casos de cardiopatia crítica, ocorre mistura do sangue venoso com arterial, sendo possível sua detecção com a medida adequada da saturação de oxigênio. Deve ser realizado já que, antes das 24 a 36h iniciais de vida, a patência do canal arterial impede manifestação clínica importante.

O teste deve ser feito em todo recém-nascido aparentemente saudável, com idade gestacional maior que 34 semanas, entre 24 e 48h de vida, antes da alta hospitalar.

O exame é obrigatório pelo Sistema Único de Saúde (SUS) desde 2014, conforme publicação no Diário Oficial da União: “Art. 1º Fica incorporada a oximetria de pulso – teste do coraçãozinho, a ser realizado de forma universal, fazendo parte da triagem Neonatal no Sistema Único de Saúde – SUS”. Considerando a importância do exame, foi um grande ganho para a sociedade.

O teste consiste na medida da saturação de oxigênio no membro superior direito e em um dos membros inferiores. Para realização adequada do exame, o paciente deve estar com os membros bem aquecidos e deve-se esperar traçado adequado.

É considerado resultado NEGATIVO quando a saturação medida é maior que 95%, com diferença máxima entre os membros de 3%. É considerado resultado POSITIVO quando a saturação é menor que 95% e a diferença de saturação pré e pós ductal é maior ou igual que 3%. Na presença de um dos resultados positivo, o teste deve ser repetido após 1 hora.

Confirmado o “Teste do Coraçãozinho”, após a segunda avaliação, o paciente deve ser investigado para diagnóstico de cardiopatia congênita crítica. O exame de escolha é o Ecocardiograma, que deve ser feito nas próximas 24h.

Após o diagnóstico da cardiopatia, o paciente deve permanecer em monitorização contínua em Unidade de Tratamento Intensivo (UTI Neonatal), em acompanhamento com cardiologista.

Bibliografia

Diário Oficial da União. Portaria nº 20, de 10 de junho de 2014. Nº 110 – DOU – 11/06/14 – seção 1 – p.56. Último acesso em 05/11/2016 às 10:24. Disponível em DOU.

MEDEIROS, Ana Lúcia; TALITA, Freitas; ARAÚJO, Juliana de;MATTOS, Sandra. Oximetria de pulso em triagem de cardiopatias congênitas: conhecimento e atuação do enfermeiro. Cogitare Enferm. 2015 Jul/Set; 20(3): 605-611.

Ministério da Saúde – Departamento de Gestão e Incorporação de Tecnologias em Saúde da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos. Teste do Coraçãozinho (Oxímetro de Pulso) na Triagem Neonatal. Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (CONITEC). Relatório n⸰ 115. Último acesso em 20/11/2016 às 05:46. Disponível em CONITEC.

Portal Brasil. Teste do Coraçãozinho agora é obrigatório no SUS. Último acesso em 05/11/2016 às 16:45. Disponível em Portal Brasil.

Sociedade Brasileira de Pediatria. Diagnóstico Precoce da Cardiopatia Congênita Crítica: oximetria de pulso como ferramenta de triagem neonatal. Último acesso em 04/11/2016 às 11:32. Disponível em SBP.

Por Mariana Hermann da Cruz, médica pediatra intensivista (PUC Campinas).

A série “Dr Curumim” pretende trazer todas as quintas-feiras textos mais completos sobre assuntos que trabalhem com o tema coração e a cardiopatia congênita.

Imagem via Unsplash.

Equipe Curumim

AATCC – Associação de Apoio ao Tratamento das Crianças Cardiopatas – Coração curumim

1 Resultado

  1. Antônio disse:

    Muito bom!!!!
    Excelente iniciativa e ótimo texto

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